Não tenho pretensões

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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Independência ou Morte?

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas, de um povo heroico o brado retumbante, e o sol da liberdade, em raios fúlgidos, brilhou no céu da pátria nesse instante”, através dessa maneira poética somos chamados a recordar a proclamação da independência do Brasil, ocorrida no dia sete de setembro de 1822.
A história, dita como oficial, narra que Dom Pedro I, montado em seu cavalo, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, a beira do riacho, com a espada em riste dera o grito: “Independência ou Morte”, proclamando assim a liberdade do Brasil perante a opressão de Portugal. Cita ainda que essa proclamação de independência foi pacífica, e aceita pela Coroa Portuguesa, já que o imperador do Brasil, Dom Pedro I, era filho do rei de Portugal, Dom João VI, e por isso não queriam gerar um guerra na família.
História linda, não é? Chega a parecer uma novela exibida no canal de televisão famoso. Aliás, ela incentivou a criação de várias produções cênicas. Entretanto, essa história, que em minha opinião deveria ser considerada uma fábula, esconde vários fatores negativos que refletem até hoje na nossa sociedade.
Como afirmei no texto “Tiradentes e o verdadeiro desafio do ser Independente!” (edição 158 - Abril/Maio de 2017 do nosso jornal): “... muitas das revoluções, independente de seus verdadeiros ideais, aconteceram aproveitando-se dos problemas econômicos existentes na época...”, com a proclamação da independência do Brasil, não poderia ser diferente.
A elite do Brasil, na época, se via amedrontada com o retorno de Dom João VI a Portugal e com o surgimento, além do poder adquirido, das Cortes Gerais Portuguesas. Temendo uma possível perda de seus bens e poderes, resolveu aproximar-se de Dom Pedro, na época príncipe regente, animando-o a fazer com que o Brasil se transformasse uma nação. Apoiando as medidas populistas e incentivando-o a contrariar ordens da Coroa Portuguesa, entre elas a do regresso a Portugal, que ficou conhecida como o Dia do Fico, visava sempre proteger seus próprios interesses.
Proclamada em 1822, a independência só fora reconhecida por um país, os Estados Unidos em 1824, e o Brasil estava isolado de acordos comerciais da época, o que gerava problemas econômicos e de abastecimento. Além disso, houveram vários conflitos com as tropas leais à Coroa Portuguesa, em nosso território, que geraram inúmeras vítimas. Esses aspectos faziam com que a popularidade de Dom Pedro caísse e a elite, preocupada com uma possível revolta popular, propôs a busca de um acordo para reconhecimento do Brasil como uma nação independente.
Seguindo a orientação, Dom Pedro I, com o interesse direto e a mediação diplomática da Inglaterra, assina o Tratado de Paz e Aliança em 29 de agosto de 1925, onde Portugal reconheceu a independência do Brasil, mediante o recebimento do valor de dois milhões de libras esterlinas, a título de ressarcimento.
A elite, como costumeiramente faz, decidiu não arcar com o acordo e retirou o apoio a Dom Pedro. Esse, vendo-se isolado e preocupado com o seu poder político, recorreu à Inglaterra por um empréstimo para honrar a sua palavra, assinando assim, a “proclamação da morte da liberdade brasileira” e dando a luz a Dívida Externa Brasileira!
Desde então, o povo brasileiro paga os juros dessa dívida e de todas as outras que contraiu nesses 195 anos. Anualmente são retirados bilhões de reais da saúde, educação, aposentadoria, segurança pública, infraestrutura, trabalho, etc. (considerado como gastos primários pelos economistas e não investimentos) e fornecendo concessões de nossas riquezas minerais, ambientais tecnológicas, etc., que geram enormes desigualdades de oportunidades e de qualidades para toda população brasileira. A maioria do povo brasileiro, por sua vez, continua aceitando passivamente os acordos extremamente prejudiciais para si e às futuras gerações, o que revela que o Brasil ainda é uma colônia ou, como se diz nos dias atuais, um país emergente.
Você deve estar se questionando: qual o caráter religioso desse texto? O que ele faz nesse jornal para o meu crescimento espiritual? Para essas questões, eu sempre gosto de lembrar a nossa responsabilidade de batizados, agir como profeta, sacerdote e rei para fazermos o que a bíblia nos diz: “Santificareis o quinquagésimo ano e publicareis a liberdade na terra para todos os seus habitantes. Será o vosso jubileu. Voltareis cada um para as suas terras e para a sua família.” Levítico 25,10.
Que a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja sempre conosco nessa construção do Reino de Justiça, Paz e Amor! Salve Maria!
Hernane Martinho Ferreira
Praesidium Mãe dos Pequeninos
Publicado no Jornal do Senatus - Edição: Ano 18 - Número 160 - Agosto/Setembro 2017


Obra de: Pedro Américo - Martins, Lincoln. Pedro Américo: pintor universal. Brasília, Federal District: Fundação Banco do Brasil, 1994ISBN 85-900092-1-1

Nota do autor do texto: Apesar de magnífica, a obra produzida por Pedro Américo não condiz com a realidade dos fatos ocorridos. Entretanto o seu valor artístico continua sendo imensurável!