“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas, de
um povo heroico o brado retumbante, e o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
brilhou no céu da pátria nesse instante”, através dessa maneira poética
somos chamados a recordar a proclamação da independência do Brasil, ocorrida no
dia sete de setembro de 1822.
A história,
dita como oficial, narra que Dom Pedro I, montado em seu cavalo, no bairro do
Ipiranga, em São Paulo ,
a beira do riacho, com a espada em riste dera o grito: “Independência ou
Morte”, proclamando assim a liberdade do Brasil perante a opressão de Portugal.
Cita ainda que essa proclamação de independência foi pacífica, e aceita pela
Coroa Portuguesa, já que o imperador do Brasil, Dom Pedro I, era filho do rei
de Portugal, Dom João VI, e por isso não queriam gerar um guerra na família.
História
linda, não é? Chega a parecer uma novela exibida no canal de televisão famoso.
Aliás, ela incentivou a criação de várias produções cênicas. Entretanto, essa
história, que em minha opinião deveria ser considerada uma fábula, esconde
vários fatores negativos que refletem até hoje na nossa sociedade.
Como afirmei
no texto “Tiradentes e o verdadeiro desafio do ser Independente!” (edição
158 - Abril/Maio de 2017 do nosso jornal): “...
muitas das revoluções, independente de seus verdadeiros ideais, aconteceram
aproveitando-se dos problemas econômicos existentes na época...”, com a proclamação
da independência do Brasil, não poderia ser diferente.
A elite do
Brasil, na época, se via amedrontada com o retorno de Dom João VI a Portugal e
com o surgimento, além do poder adquirido, das Cortes Gerais Portuguesas.
Temendo uma possível perda de seus bens e poderes, resolveu aproximar-se de Dom
Pedro, na época príncipe regente, animando-o a fazer com que o Brasil se
transformasse uma nação. Apoiando as medidas populistas e incentivando-o a
contrariar ordens da Coroa Portuguesa, entre elas a do regresso a Portugal, que
ficou conhecida como o Dia do Fico, visava sempre proteger seus próprios interesses.
Proclamada em 1822, a independência só fora
reconhecida por um país, os Estados Unidos em 1824, e o Brasil estava isolado de
acordos comerciais da época, o que gerava problemas econômicos e de
abastecimento. Além disso, houveram vários conflitos com as tropas leais à
Coroa Portuguesa, em nosso território, que geraram inúmeras vítimas. Esses
aspectos faziam com que a popularidade de Dom Pedro caísse e a elite,
preocupada com uma possível revolta popular, propôs a busca de um acordo para
reconhecimento do Brasil como uma nação independente.
Seguindo a
orientação, Dom Pedro I, com o interesse direto e a mediação diplomática da
Inglaterra, assina o Tratado de Paz e Aliança em 29 de agosto de 1925, onde
Portugal reconheceu a independência do Brasil, mediante o recebimento do valor
de dois
milhões de libras esterlinas, a título de ressarcimento.
A elite, como costumeiramente
faz, decidiu não arcar com o acordo e retirou o apoio a Dom Pedro. Esse,
vendo-se isolado e preocupado com o seu poder político, recorreu à Inglaterra
por um empréstimo para honrar a sua palavra, assinando assim, a “proclamação da
morte da liberdade brasileira” e dando a luz a Dívida Externa Brasileira!
Desde então, o
povo brasileiro paga os juros dessa dívida e de todas as outras que contraiu nesses
195 anos. Anualmente são retirados bilhões de reais da saúde, educação,
aposentadoria, segurança pública, infraestrutura, trabalho, etc. (considerado
como gastos primários pelos economistas e não investimentos) e fornecendo
concessões de nossas riquezas minerais, ambientais tecnológicas, etc., que
geram enormes desigualdades de oportunidades e de qualidades para toda
população brasileira. A maioria do povo brasileiro, por sua vez, continua
aceitando passivamente os acordos extremamente prejudiciais para si e às
futuras gerações, o que revela que o Brasil ainda é uma colônia ou, como se diz
nos dias atuais, um país emergente.
Você deve
estar se questionando: qual o caráter religioso desse texto? O que ele faz
nesse jornal para o meu crescimento espiritual? Para essas questões, eu sempre
gosto de lembrar a nossa responsabilidade de batizados, agir como profeta,
sacerdote e rei para fazermos o que a bíblia nos diz: “Santificareis o quinquagésimo ano e publicareis a liberdade na terra
para todos os seus habitantes. Será o vosso jubileu. Voltareis cada um para as
suas terras e para a sua família.” Levítico 25,10.
Que a paz de
Nosso Senhor Jesus Cristo esteja sempre conosco nessa construção do Reino de
Justiça, Paz e Amor! Salve Maria!
Hernane
Martinho Ferreira
Praesidium
Mãe dos Pequeninos
Publicado no Jornal do Senatus - Edição: Ano 18 - Número 160 - Agosto/Setembro 2017
Publicado no Jornal do Senatus - Edição: Ano 18 - Número 160 - Agosto/Setembro 2017
- Martins, Lincoln. Pedro Américo: pintor universal. Brasília, Federal District: Fundação Banco do Brasil, 1994ISBN 85-900092-1-1
Nota do autor do texto: Apesar de magnífica, a obra produzida por Pedro Américo não condiz com a realidade dos fatos ocorridos. Entretanto o seu valor artístico continua sendo imensurável!
