Os Skinheads, segundo George Marshal em seu livro “Espírito de 69 – A Bíblia do Skinhead”4 , surgiram em 1967, na periferia de Londres - Inglaterra, da junção de grupos de torcedores de clubes de futebol denominados Hooligans e de uma gangue de rua denominada Rude boys. Os primeiros skinheads eram os filhos de operários das indústrias inglesas e os filhos de jamaicanos radicados em Londres, que se reuniam para assistirem partidas de futebol, beberem cerveja e escutarem músicas do estilo reggae, ska jamaicano, rocksteady e soul americano. Como o autor cita em sua obra, os primeiros skinheads eram na maioria negros, argumento utilizado como justificativa para afirmar que o grupo não é racista em sua origem.
O auge dos Skinheads foi o ano de 1969, sendo esse o motivo do nome do livro. Os aspectos dessa “Tribo Urbana” conquistaram os jovens das periferias de Londres. A vestimenta dos Skinheads com camisa social, calça de brim, coturnos de 14 ou mais ilhoses, suspensório e cinto com fivela grande ganhavam a cada dia mais adeptos. As cabeças raspadas com o corte da máquina na escala um eram vistas com mais frequência e naturalidade pela sociedade londrina naquele ano.
A partir do crescimento dos Skinheads observava-se que o comportamento desse grupo possuía características de violência, perseguição e preconceito, como cita o autor na sua obra no parágrafo a seguir:
“A cor da pele fez deles bodes expiatórios de um país que, tendo ganhado a guerra, estava perdendo a paz. Os asiáticos eram encarados como competidores por trabalho e habitação, numa época em que o emprego na indústria pesada ficava mais difícil e as tradicionais comunidades da classe operária perdiam terreno para os novos planejadores do urbanismo, interessados na construção de torres de apartamentos. Somando-se a isso o fato de que os pakis não revidavam, o alvo se tornava perfeito para um soco no meio da cara.”5
e também no parágrafo:
...os pakis eram mais um inimigo que os skins acrescentavam à lista que já incluía hippies, gays, tarados em geral, greasers e outros que aparentemente estivessem do lado errado da vida.” 6
e esse era motivo de preocupação da segurança pública de Londres, que começou a acompanhar as atividades do grupo e a punir conforme julgava-se necessário. As cenas e os casos de violência, para muitos Skinheads, eram considerados como estímulo a aparecerem nas manchetes dos jornais impressos e televisivos. Até mesmo o fato de ser preso, por exercício da violência sem sentido, era comparado à conquista de um título esportivo ou a um prêmio.
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4 Marshall, George: Espírito de 69: A Bíblia do Skinhead, Editora Trama Editorial, Tradução e Notas adicionais de Glauco Mattoso
5 Marshall, George: Espírito de 69: A Bíblia do Skinhead, Editora Trama Editorial, Tradução e Notas adicionais de Glauco Mattoso, páginas 23 e 24
6 Marshall, George: Espírito de 69: A Bíblia do Skinhead, Editora Trama Editorial, Tradução e Notas adicionais de Glauco Mattoso, páginas 23 e 24